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JEQUITIBÁ
Walter Mendes Monteiro[1]

 
            Jequitibá é uma palavra de origem aborígine que significa árvore de tronco duro e reto.
            Jequitibá é uma árvore da família das lecitidáceeas. As duas espécies mais conhecidas são: jequitibá rosa (Carinina estrellensis) e o jequitibá branco (Cariniana legalis).
            O jequitibá destaca-se das demais árvores da Mata Atlântica em razão da grossura do seu tronco e da altura de sua copa. A madeira do jequitibá rosa era a mais empregada para fazer: tábuas para assoalho de casas de madeira, portas, janelas, caixas (baús), mesas, cadeiras, etc.
            Conta-se a lenda que o cachimbo do saci pererê que vivia na Mata Atlântica era feito da cápsula que protegia os frutos. Por este fato seguindo as pegadas do saci pererê os (as) nossos (as) caboclos (as), no passado, utilizavam as cápsulas para fazer cachimbos.                            
                                           
            Nas matas do Vale do Rio José Pedro haviam, no passado não muito distante, vários e grandes jequitibás. Por causa da devastação da Mata Atlântica e o abuso da retirada dos jequitibás pelas serrarias da região é raro achar uma árvore desta espécie.

O JEQUITIBÁ DE CONCEIÇÃO DE IPANEMA

            Próximo à cidade de Conceição de Ipanema - MG, abaixo da foz do Córrego Conceição, afluente da margem direita do Rio José Pedro, nas capoeiras da propriedade dos herdeiros do Senhor Honório Moulaz existe um exemplar raro e solitário de jequitibá que resistiu e sobreviveu a sanha destruidora das espécies da secular da floresta nativa. Deve ser um dos últimos jequitibás de todo o Vale do Rio José Pedro.

EDUCAÇÃO E ECOLOGIA

            A comunidade escolar da Escola Municipal “Prof.ª Neuza Rodrigues Nantes” – Nucleada, dentro do desen-volvimento do Projeto: “Abraçando o Rio José Pedro”, no dia 12 de abril, educandos, Educadores e o Secretário de Educação, visitaram a capoeira e o jequitibá da propriedade dos herdeiros do Senhor Honório Moulaz. Percorreram um trecho da reserva, com suas matas ciliares, na margem direita do Rio José Pedro. Nesta visita um grupo de educando abraçaram de fato o jequitibá. O abraço foi feito por nove alunos. Mediu-se o tronco, a uma altura de 1,50m do chão, constatando que a árvore tem uma dimensão de 7,54m de circunferência, isto é, o seu diâmetro, aproximado, é: 2,40 m
[7,54 ¸3,14 (p) = 2,40], segundo o Senhor Eduardo Eurípides a altura da árvore é de 59m. Foram medidas a altura em-pregando noções de trigonometrias.


Preservar o jequitibá da propriedade dos herdeiros do Senhor Honório Moulaz é dever de
todos habitantes de Conceição de Ipanema – MG e, também, do Vale do Rio José Pedro.
 

Referências Bibliográficas:
Ø Capppele, José Cerqueira (Irmão José Gregório – Marista), Contribuição Indígena ao Brasil. União Brasi-leira de Educação e Ensino. Belo Horizonte – MG, sem data.
Ø Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Editora Positivo. Curitiba – PR, 2009.


[1] -Educador da EM”Prof.ª Neuza Rodrigues Nantes” - Nucleada – Conceição de Ipanema – MG




RIO JOSÉ PEDRO

Walter Mendes Monteiro

01-    UM POUCO DE HISTÓRIA

01.01-Primitivos Habitantes: Nos atuais territórios de Minas Gerais e do Espírito Santo viveram temporário ou permanente mais de uma centena de tribos ou povos aborígines.
            Os principais aborígines que viviam no Vale do Rio José Pedro eram os: aymoré (ou botocudos) e puri. Os aymoré (ou botocudos) por causa de suas lutas em defesa do modo de viver e do seu território podem ser considerados os guardiões da Mata Atlântica. Ambos os povos foram quase extintos pelo massacre dos brancos e suas doenças[1].
            Conta-se que primeiro forasteiro a entrar no Vale do Rio José Pedro foi José Pedro de Alcântara que deixou gravado em figueira a inscrição: ”ATÉ AQUI CHEGOU JOSÉ PEDRO”. Segundo a tradição esta árvore localizava na localidade Varginha, Município de Chalé - MG, inundada pela as águas da barragem da PCH de Varginha. Por este fato o rio passou denominar-se: Rio José Pedro. Este acontecimento tudo indica que ocorreu antes de 1840.
01.02-Antigo Limite: O Rio José Pedro até a segunda parte da década do século XX era o limite entre os atuais Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Logo toda sua margem direita fazia parte do atual Estado do Espírito Santo. O limite deslocou por alguns anos entre o divisor de águas do Rio José Pedroe Rio Mutum e depois do acordo entre os dois Estados foi demarcado para o atual limite.
01-03-Território de coronéis: No Vale do Rio José Pedro três coronéis se destacaram pela dominação nas três primeiras décadas do século XX: coronel Chichico Gomes, no atual Chalé – MG, coronel Osório, no atual Mutum, e coronel Calhau, em Ipanema - MG. Sendo que o coronel Calhau foi articulador regional do deslo-camento dos limites entre os dois Estados.
02-UM POUCO DE GEOGRAFIA:
02.01-Meio Ambiente: O Vale do Rio José Pedro era coberto pela densa, exuberante e variada Mata Atlân-tica. Os cursos d’águas era mais volumoso e pouco poluídos.Tanto a fauna geral como a fauna aquática era abundante e diversificada. Por causa da ocupação humana desordenada, o abuso das queimadas e da poluição toda esta imensa riqueza natural foi quase extinta. Hoje resta pouco vestígio da Mata Atlântica. Muitas espécies foram extintas. No caso da fauna aquática há um grande agravante a construção de uma barragem, sem escadas para os peixes, no Rio Manhuaçu, próximo à cidade de Aimorés - MG e a construção da Barragem de Mascarenhas, em Baixo Guandu – ES.
02.02-O Rio: O Rio José Pedro nasce na Serra do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com Espírito Santo, em uma altitude de 2450m. Na divisa intermunicipal de Iuna – ES e Alto Caparaó – MG. O Rio José Pedro é divisor intermunicipal, respectivamente, Iuna - ES e Alto Jequitibá; Iuna – ES e Manhumirim – ES e alcança a vila de Pequiá (Iuna – ES), na BR – 262. Penetra no território mineiro.
            Os municípios mineiros além dos já citados banhados pelo Rio José Pedro são: Martins Soares, Du-randé, Lajinha, Chalé, São José do Mantimento, Conceição de Ipanema, Ipanema, Taparuba, Pocrane e Ai-morés.
            Os principais afluentes do Rio José Pedro acham-se na margem direita, são: Rio Claro, Ribeirão São Domingos, Ribeirão Cobrador e Rio Mutum. O principal afluente da margem esquerda é o Ribeirão Pocrane.
            O Vale do Rio José Pedro acha-se espremido entre o Rio Manhuaçu e Serra do Caparaó na divisa com o Estado do Espírito Santo.
            A foz do Rio José Pedro no Rio Manhuaçu situa-se na tríplice divisa de: Pocrane, Aimorés e Santa Rita do Itueto, próximo à localidade de Santa Santaninha (Santa Rita de Itueto).
            O Rio José Pedro próximo à cidade de Ipanema apresenta-se vários meandros.
02.03-Situação Atual: Grande parte dos seus afluentes como leito principal estão assoreados. As águas do Rio José Pedro estão poluídas pelos dejetos lançados diretamente nele pelos: povoados, vilas e cidades; pelas indústrias e pelos biocidas empregados na agropecuária.

03 – IMPONTÂNCIA DO RIO PARA CONCEIÇÃO DE IPANEMA

            Mais de 90% área do município de Conceição de Ipanema está no vale do Rio José Pedro.
            Os afluentes do Rio José Pedro da margem direita em território de Conceição de Ipanema são: Cór. da Saudade, Cór. Conceição, Cór. Santa Maria, Cór. Palha Branca e da margem esquerda são: Cór. Do Funil, Cór. do Angelim, Cór. Santa Silvéria, Cór da Barraca, Cór. do Mexerico e Cór. do Retiro.


[1] - Os krenak que vivem em Residência, distrito de Resplendor – MG, margem esquerda do Rio Doce e outras partes do Brasil são os sobreviventes dos aymoré. Os puri restam menos de cem pessoas.